“Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos.”
Fernando Pessoa
Fernando António Nogueira Pessoa foi um poeta português identificado com o modernismo, amplamente reconhecido como um dos principais autores da língua portuguesa e o maior poeta lusófono do século XX. Atuou também como dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentador político.
Fernando Pessoa também escreveu sobre
295 frases de Fernando Pessoa
“Se conhecêssemos a verdade, vê-la-íamos; tudo o mais é sistema e arrabaldes.”
“"Qualquer estrada", disse Carlyle, "até esta estrada de Entepfuhl, te leva até ao fim do mundo". Mas a estrada de Entepfuhl, se for seguida toda, e até ao fim, volta a Entepfuhl; de modo que o Entepfuhl, onde já estávamo, é aquele mesmo fim do mundo que íamos buscar.”
“Porque é bela a arte? Porque é inútil. Porque é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções.”
“Porque dar valor ao próprio sofrimento põe-lhe o ouro de um sol do orgulho. Sofrer muito pode dar a ilusão de ser o Eleito da Dor.”
“Penso as vezes, com um deleite triste, que se um dia, num futuro a que eu já não pertença, estas frases, que escrevo, durarem com louvor, eu terei enfim a gente que me "compreenda", os meus, a família verdadeiro para nela nascer e ser amado. [...] Serei compreendido só em efígie, quando a afeição já não compense a quem morreu a só desafeição que houve, quando vivo.”
“Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor.”
“O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade.”
“O tédio é a falta de uma mitologia. A quem não tem crenças, até a dúvida é impossível, até o cepticismo não tem força para desconfiar.”
“O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter.”
“O império supremo é o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia não pesa como um fardo de jóias.”
“O homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de a não pensar.”
“O homem perfeito do pagão era a perfeição do homem que há; o homem perfeito do cristão a perfeição do homem que não há; o homem perfeito do budista a perfeição de não haver homem.”
“O fim é baixo, comotodos os fins quantitativos, pessoais ou não, e é atingível e verificável.”
“O homem não deve poder ver a sua própria cara. Isso é o que há de mais terrível. A Natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como a de não poder fitar os seus próprios olhos.”
“Nunca me pesou o que de trágico se passasse na China. É decoração longínqua, ainda que a sangue e peste.”
“Nunca fui mais que um boémio isolado, o que é um absurdo; ou um boémio místico, o que é uma coisa impossível.”
“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso -- em suma, é a nós mesmos -- que amamos.”
“Não há felicidade senão com conhecimento. Mas o conhecimento da felicidade é infeliz; porque conhecer-se feliz é conhecer-se passando pela felicidade, e tendo, logo já, que deixá-la atrás. Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não existir.”
“Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade e a hiperexcitação.”
“Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?”
“Porque eu sou do tamanho do que vejo / e não do tamanho da minha altura.”
“Passar dos fantasmas da fé para os espectros da razão é somente ser mudado de cela.”
“O ter tocado os pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação.”
“Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.”
“O relógio da casa, lugar certo lá ao fundo das coisas, soa a meia hora seca e nula. Tudo é tanto, tudo é tão fundo, tudo é tão negro e frio!”
“"O coração, se pudesse pensar, pararia." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 40; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.”
“O olfacto é uma vista estranha. Evoca paisagens sentimentais por um desenhar súbito do subconsciente.”
“Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.”
“O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.”
“Há sensações que são somos, que ocupam como uma névoa toda a extensão do espírito, que não deixam pensar, que não deixam agir, que não deixam claramente ser.”
“Há os que Deus mesmo explora, e são profetas e santos na vacuidade do mundo.”
“Eu, porém, não tenho nobreza estilística. Dói-me a cabeça porque me dói a cabeça. Dói-me o universo porque me dói a cabeça.”
“Entre mim e a vida há um vidro ténue. por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.”
“Eram dois e belos e desejavam ser outra coisa; o amor tardava-lhes no tédio do futuro, e a saudade do que haveria de ser vinha já sendo filha do amor que não tinham tido.”
“Em qualquer espírito, que não seja disforme, existe a crença em Deus. Em qualquer espírito, que não seja disforme, não existe crença em um Deus definido.”
“E seja o nosso desprezo para os que trabalham e lutam e o nosso ódio para os que esperam e confiam.”
“E então vem-me o desejo transbordante, absurdo, de uma espécie de satanismo que precedeu Satã, de que um dia [...] se encontre uma fuga para fora de Deus e o mais profundo de nós deixe, não sei como, de fazer parte do ser ou do não ser.”
“É certo que, ao ouvir contar a qualquer destes indivíduos as suas maratonas sexuais, uma vaga suspeita nos invade, pela altura do sétimo desfloramento.”
“E a suprema glória disto tudo, meu amor, é pensar que talvez isto não seja verdade, nem eu o creia verdadeiro. // E quando a mentira comece a dar-nos prazer, falemos a verdade para lhe mentirmos.”
“E assim como sonho, raciocino se quiser, porque isso é apenas uma outra espécie de sonho.”
“Durmo e desdurmo. / Do outro lado de mim, lá para trás de onde jazo, o silêncio da casa toca no infinito. Oiço cair o tempo, gota a gota, e nenhuma gota que cai se ouve cair.”
“Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.”
“Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.”
“Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror.”
“Contentar-se com o que lhe dão é próprio dos escravos. Pedir masi é próprio das crianças. Conquistar mais é próprio dos loucos [porque toda a conquista é [X]]”
“Coisa arrojada a um canto, trapo caído na estrada, meu ser ignóbil ante a vida finge-se.”
“Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma questão, nunca a podemos resolver.”
“Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma igual.”
“Busco-me e não me encontro. Pertenço a horas crisântemos, nítidas em alongamentos de jarros. Deus fez da minha alma uma coisa decorativa.”
“Aquilo que, creio, produz em mim o sentimento profundo, em que vivo, de inconguência com os outros, é que a maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento.”
“Assim como lavamos o corpo devíamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa.”
“A sua cara lívida está de um verde falso e desnorteado. Noto-o, entre o ar difícil do peito, com a fraternidade de saber que também estarei assim.”
“A idéia de uma obrigação social qualquer [...] só essa ideia me estorva os pensamentos de um dia, e às vezes é desde a mesma véspera que me preocupo, e durmo mal, e o caso real, quando se dá, é absolutamente insignificante, não justifica nada; e o caso repete-se e eu não aprendo a aprender.”
“A consciência da insonsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência.”
“A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação.”
“A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que lhe não compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente o nome falso e o sonho verdadeiro criam uma nova realidade. O objecto torna-se realmente outro, porque o tornámos outro. Manufacturamos realidades.”
“"A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la." Livro do desassossego, por Bernardo Soares. Fernando Pessoa. Organização de Richard Zenith - Assírio & Alvim, 2008, Página 414.”
“Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.”
“Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria?”
“Os Deuses vendem quando dão. / Compra-se a glória com desgraça. / Ai dos felizes, porque são / Só o que passa!”
“Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal!”
“Cumpri contra o Destino o meu dever. / Inutilmente? Não, porque o cumpri.”
“A morte chega cedo, Pois breve é toda vida. O instante é o arremedo, De uma coisa perdida. O amor foi começado, O ideal não acabou, E quem tenha alcançado. Não sabe o que alcançou. E a tudo isto a morte, Risca por não estar certo, No caderno da sorte, Que Deus deixou aberto.”
“Eu amo tudo o que foi. Tudo o que já não é. A dor que já não me dói. A antiga e errônea fé. O ontem que a dor deixou. O que deixou alegria. Só porque foi, e voou. E hoje é já outro dia.”
“"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada." (Em Odes de Ricardo Reis, por Ricardo Reis - um dos heterônimos de Fernando Pessoa)”
“"Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero." (Bernardo Soares)”
“"Pertenço àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado." (Bernardo Soares)”
“"Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a daquilo que escrevemos." (Bernardo Soares)”
“"Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes.[...] Por isto, contudo, amo-os a todos. Meus queridos vegetais!" (Bernardo Soares)”
“"Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma. (Bernardo Soares)”
“"É nobre ser tímido, ilustre não saber agir, grande não ter jeito para viver." (Bernardo Soares)”
“"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo." (Bernardo Soares)”
“"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito. (Bernardo Soares)”
“"Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos) (Bernardo Soares)”
“"A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e muito mais variado do que o homem de acção. Em melhores e mais directas palavras, o sonhador é que é o homem de acção. Nunca pretendi ser senão um sonhador." (Bernardo Soares)”
“"A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida." (Bernardo Soares)”
“"Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." (Em Tabacaria, por Álvaro de Campos - um dos heterônimos de Fernando Pessoa)”
“"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus." :- Fonte: Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925”
“"Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade".”
“"Não sou do tamanho da minha altura, mas da estatura daquilo que posso ver." (Correção: "Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura...") em Guardador de Rebanhos, por Alberto Caeiro - um dos heterônimos de Fernando Pessoa”
“"Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a razão, seja quem for o seu procurador." Fernando Pessoa”
“"(...) Quando falo com sinceridade, não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe"(...). In: Para a Explicação da Heteronímia Fernando Pessoa”
“"Não há normas. Todos os homens são excepção a uma regra que não existe". (Fernando Pessoa)”
“"O dinheiro compra um mausoléu, mas não um lugar no céu." (Fernando Pessoa)”
“"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?" (Fernando Pessoa)”
“O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir a dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, na dor lida sentem bem não duas que ele teve, mas só as que eles não têm. E assim nas calhas de roda gira, a a entreter a razão, esse comboio de corda que se chama coração.”
“"Cada um de nós é um grão de pó que o vento da vida levanta, e depois deixa cair." Fernando Pessoa (1888-1935), poeta português, citado no livro Fernando Pessoa-Uma Quase Autobiografia, de José Cavalcanti Filho.”
“"A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida." (Fernando Pessoa)”
“"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.”
“"O autor destas linhas [...] nunca teve uma só personalidade, nem pensou nunca, nem sentiu, senão dramaticamente, isto é, numa pessoa, a personalidade, suposta, que mais propriamente do que ele próprio pudesse ter esses sentimentos".”
“Quero fugir ao mistério / Para onde fugirei? / Ele é a vida e a morte / Ó Dor, aonde me irei?”
“"Eu não sei o que o amanhã trará." É a última frase escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").”
“* "Vão para o diabo sem mim, ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que haveremos de ir juntos?"”
“"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?" Fernando Pessoa, in: Notas Autobiográficas e de Autognose”
“"A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta".”
“Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos.”
“Se conhecêssemos a verdade, vê-la-íamos; tudo o mais é sistema e arrabaldes.”
“Porque é bela a arte? Porque é inútil. Porque é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções.”
“Porque dar valor ao próprio sofrimento põe-lhe o ouro de um sol do orgulho. Sofrer muito pode dar a ilusão de ser o Eleito da Dor.”
“"Qualquer estrada", disse Carlyle, "até esta estrada de Entepfuhl, te leva até ao fim do mundo". Mas a estrada de Entepfuhl, se for seguida toda, e até ao fim, volta a Entepfuhl; de modo que o Entepfuhl, onde já estávamo, é aquele mesmo fim do mundo que íamos buscar.”
“Pensar é destruir. O próprio processo do pensamento o indica para o mesmo pensamento, porque pensar é decompor.”
“Penso as vezes, com um deleite triste, que se um dia, num futuro a que eu já não pertença, estas frases, que escrevo, durarem com louvor, eu terei enfim a gente que me "compreenda", os meus, a família verdadeiro para nela nascer e ser amado. [...] Serei compreendido só em efígie, quando a afeição já não compense a quem morreu a só desafeição que houve, quando vivo.”
“O que é doença é desejar com igual intensidade o que é preciso e o que é desejável, e sofrer por não ser perfeito como se se sofresse por não ter pão. O mal romântico é este: é querer a lua como se houvesse maneira de a obter.”
“O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade.”
“O tédio é a falta de uma mitologia. A quem não tem crenças, até a dúvida é impossível, até o cepticismo não tem força para desconfiar.”
“O império supremo é o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia não pesa como um fardo de jóias.”
“O homem não deve poder ver a sua própria cara. Isso é o que há de mais terrível. A Natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como a de não poder fitar os seus próprios olhos.”
“O homem perfeito do pagão era a perfeição do homem que há; o homem perfeito do cristão a perfeição do homem que não há; o homem perfeito do budista a perfeição de não haver homem.”
“O homem vulgar, por mais dura que lhe seja a vida, tem ao menos a felicidade de a não pensar.”
“O fim é baixo, comotodos os fins quantitativos, pessoais ou não, e é atingível e verificável.”
“Nunca fui mais que um boémio isolado, o que é um absurdo; ou um boémio místico, o que é uma coisa impossível.”
“Nunca me pesou o que de trágico se passasse na China. É decoração longínqua, ainda que a sangue e peste.”
“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso -- em suma, é a nós mesmos -- que amamos.”
“Não há felicidade senão com conhecimento. Mas o conhecimento da felicidade é infeliz; porque conhecer-se feliz é conhecer-se passando pela felicidade, e tendo, logo já, que deixá-la atrás. Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não existir.”
“Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu? O que é este intervalo que há entre mim e mim?”
“Na vida de hoje, o mundo só pertence aos estúpidos, aos insensíveis e aos agitados. O direito a viver e a triunfar conquista-se hoje quase pelos mesmos processos por que se conquista o internamento num manicómio: a incapacidade de pensar, a amoralidade e a hiperexcitação.”
“Porque eu sou do tamanho do que vejo / e não do tamanho da minha altura.”
“Passar dos fantasmas da fé para os espectros da razão é somente ser mudado de cela.”
“O olfacto é uma vista estranha. Evoca paisagens sentimentais por um desenhar súbito do subconsciente.”
“O relógio da casa, lugar certo lá ao fundo das coisas, soa a meia hora seca e nula. Tudo é tanto, tudo é tão fundo, tudo é tão negro e frio!”
“O ter tocado os pés de Cristo não é desculpa para defeitos de pontuação.”
“Os meus sonhos são um refúgio estúpido, como um guarda-chuva contra um raio.”
“Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade.”
“O comboio abranda, é o Cais do Sodré. Cheguei a Lisboa, mas não a uma conclusão.”
“"O coração, se pudesse pensar, pararia." - Livro do Desassossego, por Bernardo Soares; Autobiografia sem Factos - Página 40; Fernando Pessoa. Organizacão Richard Zenith - Cia das Letras, São Paulo, 2010.”
“Há sensações que são somos, que ocupam como uma névoa toda a extensão do espírito, que não deixam pensar, que não deixam agir, que não deixam claramente ser.”
“Há os que Deus mesmo explora, e são profetas e santos na vacuidade do mundo.”
“Eu, porém, não tenho nobreza estilística. Dói-me a cabeça porque me dói a cabeça. Dói-me o universo porque me dói a cabeça.”
“Entre mim e a vida há um vidro ténue. por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.”
“Eram dois e belos e desejavam ser outra coisa; o amor tardava-lhes no tédio do futuro, e a saudade do que haveria de ser vinha já sendo filha do amor que não tinham tido.”
“E seja o nosso desprezo para os que trabalham e lutam e o nosso ódio para os que esperam e confiam.”
“Em qualquer espírito, que não seja disforme, existe a crença em Deus. Em qualquer espírito, que não seja disforme, não existe crença em um Deus definido.”
“E a suprema glória disto tudo, meu amor, é pensar que talvez isto não seja verdade, nem eu o creia verdadeiro. // E quando a mentira comece a dar-nos prazer, falemos a verdade para lhe mentirmos.”
“E assim como sonho, raciocino se quiser, porque isso é apenas uma outra espécie de sonho.”
“E então vem-me o desejo transbordante, absurdo, de uma espécie de satanismo que precedeu Satã, de que um dia [...] se encontre uma fuga para fora de Deus e o mais profundo de nós deixe, não sei como, de fazer parte do ser ou do não ser.”
“É certo que, ao ouvir contar a qualquer destes indivíduos as suas maratonas sexuais, uma vaga suspeita nos invade, pela altura do sétimo desfloramento.”
“Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.”
“Durmo e desdurmo. / Do outro lado de mim, lá para trás de onde jazo, o silêncio da casa toca no infinito. Oiço cair o tempo, gota a gota, e nenhuma gota que cai se ouve cair.”
“Contentar-se com o que lhe dão é próprio dos escravos. Pedir masi é próprio das crianças. Conquistar mais é próprio dos loucos [porque toda a conquista é [X]]”
“Creio que dizer uma coisa é conservar-lhe a virtude e tirar-lhe o terror.”
“Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.”
“Cada um tem a sua vaidade, e a vaidade de cada um é o seu esquecimento de que há outros com alma igual.”
“Coisa arrojada a um canto, trapo caído na estrada, meu ser ignóbil ante a vida finge-se.”
“Como nunca podemos conhecer todos os elementos de uma questão, nunca a podemos resolver.”
“Assim como lavamos o corpo devíamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa.”
“Busco-me e não me encontro. Pertenço a horas crisântemos, nítidas em alongamentos de jarros. Deus fez da minha alma uma coisa decorativa.”
“Aquilo que, creio, produz em mim o sentimento profundo, em que vivo, de inconguência com os outros, é que a maioria pensa com a sensibilidade, e eu sinto com o pensamento.”
“A sua cara lívida está de um verde falso e desnorteado. Noto-o, entre o ar difícil do peito, com a fraternidade de saber que também estarei assim.”
“A idéia de uma obrigação social qualquer [...] só essa ideia me estorva os pensamentos de um dia, e às vezes é desde a mesma véspera que me preocupo, e durmo mal, e o caso real, quando se dá, é absolutamente insignificante, não justifica nada; e o caso repete-se e eu não aprendo a aprender.”
“A civilização consiste em dar a qualquer coisa um nome que lhe não compete, e depois sonhar sobre o resultado. E realmente o nome falso e o sonho verdadeiro criam uma nova realidade. O objecto torna-se realmente outro, porque o tornámos outro. Manufacturamos realidades.”
“A consciência da insonsciência da vida é o mais antigo imposto à inteligência.”
“A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo, daqueles que são desprovidos de imaginação.”
“"A única atitude intelectual digna de uma criatura superior é a de uma calma e fria compaixão por tudo quanto não é ele próprio. Não que essa atitude tenha o mínimo cunho de justa e verdadeira; mas é tão invejável que é preciso tê-la." Livro do desassossego, por Bernardo Soares. Fernando Pessoa. Organização de Richard Zenith - Assírio & Alvim, 2008, Página 414.”
“Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.”
“Os Deuses vendem quando dão. / Compra-se a glória com desgraça. / Ai dos felizes, porque são / Só o que passa!”
“Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia, / Cadáver adiado que procria?”
“A morte chega cedo, Pois breve é toda vida. O instante é o arremedo, De uma coisa perdida. O amor foi começado, O ideal não acabou, E quem tenha alcançado. Não sabe o que alcançou. E a tudo isto a morte, Risca por não estar certo, No caderno da sorte, Que Deus deixou aberto.”
“Cumpri contra o Destino o meu dever. / Inutilmente? Não, porque o cumpri.”
“Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. / Senhor, falta cumprir-se Portugal!”
“Eu amo tudo o que foi. Tudo o que já não é. A dor que já não me dói. A antiga e errônea fé. O ontem que a dor deixou. O que deixou alegria. Só porque foi, e voou. E hoje é já outro dia.”
“"Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero." (Bernardo Soares)”
“"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada." (Em Odes de Ricardo Reis, por Ricardo Reis - um dos heterônimos de Fernando Pessoa)”
“"Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes.[...] Por isto, contudo, amo-os a todos. Meus queridos vegetais!" (Bernardo Soares)”
“"Pertenço àquela espécie de homens que estão sempre na margem daquilo a que pertencem, nem vêem só a multidão de que são, senão também os grandes espaços que há ao lado." (Bernardo Soares)”
“"Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será a daquilo que escrevemos." (Bernardo Soares)”
“"É nobre ser tímido, ilustre não saber agir, grande não ter jeito para viver." (Bernardo Soares)”
“"Foi num mar interior que o rio da minha vida findou." (Bernardo Soares)”
“"Há um cansaço da inteligência abstracta, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma. (Bernardo Soares)”
“"Amar é cansar-se de estar só: é uma covardia portanto, e uma traição a nós próprios (importa soberanamente que não amemos) (Bernardo Soares)”
“"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do abismo." (Bernardo Soares)”
“"Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito. (Bernardo Soares)”
“"A superioridade do sonhador consiste em que sonhar é muito mais prático que viver, e em que o sonhador extrai da vida um prazer muito mais vasto e muito mais variado do que o homem de acção. Em melhores e mais directas palavras, o sonhador é que é o homem de acção. Nunca pretendi ser senão um sonhador." (Bernardo Soares)”
“"A Decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida." (Bernardo Soares)”
“"Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade".”
“"Não sou nada. Nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo." (Em Tabacaria, por Álvaro de Campos - um dos heterônimos de Fernando Pessoa)”
“"Não sou do tamanho da minha altura, mas da estatura daquilo que posso ver." (Correção: "Porque eu sou do tamanho do que vejo/E não do tamanho da minha altura...") em Guardador de Rebanhos, por Alberto Caeiro - um dos heterônimos de Fernando Pessoa”
“"Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus." :- Fonte: Fernando Pessoa/Alberto Caeiro; Poemas Inconjuntos; Escrito entre 1913-15; Publicado em Atena nº 5, Fevereiro de 1925”
“"Tenho prazer em ser vencido quando quem me vence é a razão, seja quem for o seu procurador." Fernando Pessoa”
“"Não há normas. Todos os homens são excepção a uma regra que não existe". (Fernando Pessoa)”
“"O dinheiro compra um mausoléu, mas não um lugar no céu." (Fernando Pessoa)”
“"(...) Quando falo com sinceridade, não sei com que sinceridade falo. Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe"(...). In: Para a Explicação da Heteronímia Fernando Pessoa”
“"Cada um de nós é um grão de pó que o vento da vida levanta, e depois deixa cair." Fernando Pessoa (1888-1935), poeta português, citado no livro Fernando Pessoa-Uma Quase Autobiografia, de José Cavalcanti Filho.”
“"Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?" (Fernando Pessoa)”
“"A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida." (Fernando Pessoa)”
“O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir a dor A dor que deveras sente. E os que leem o que escreve, na dor lida sentem bem não duas que ele teve, mas só as que eles não têm. E assim nas calhas de roda gira, a a entreter a razão, esse comboio de corda que se chama coração.”
“"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens.”
“"O autor destas linhas [...] nunca teve uma só personalidade, nem pensou nunca, nem sentiu, senão dramaticamente, isto é, numa pessoa, a personalidade, suposta, que mais propriamente do que ele próprio pudesse ter esses sentimentos".”
“Quero fugir ao mistério / Para onde fugirei? / Ele é a vida e a morte / Ó Dor, aonde me irei?”
“* "Vão para o diabo sem mim, ou deixem-me ir sozinho para o diabo! Para que haveremos de ir juntos?"”
“"Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, porque não sonhar os meus próprios sonhos?" Fernando Pessoa, in: Notas Autobiográficas e de Autognose”
“"Eu não sei o que o amanhã trará." É a última frase escrita no idioma no qual foi educado, o inglês: I know not what tomorrow will bring ("Eu não sei o que o amanhã trará").”
“"A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta".”